Academia Pernambucana de Letras

 


Câmara Brasileira de Desenvolvimento Cultural
 

Waldenio Porto*

Ando à cata das palavras esparsas que perpassam em minha mente para fazer frases de louvação aos hoje homenageados pela Câmara Brasileira de DesenvolvimentoCultural. Procuro encontrá-las para reuni-las em sentenças afirmativas de exaltação aos escolhidos para a distinção deste momento, em que se celebram os valores maiores da nossa cultura pernambucana.

Encontro, de início, a figura respeitabilíssima e honorável do Ministro Armando Monteiro Filho, referência de intelectual, homem público e político probo, que constela a grandeza legislativa e empresarial de nosso Estado. Há pouco discutíamos e ele argumentava, modestamente, que a homenagem era devida à idade. Eu rebatia dizendo que, sem mérito, só pela longevidade, não lhe caberia esta consagração. Homenagem e preito de admiração ao não menos notável Dilton da Conti, que, à frente da CHESF, imprime um febricitante ritmo de atuação na maior empresa produtora de energia elétrica deste país, além de patrocinar iniciativas que complementam, estruturam e defendem a identidade cultural de Pernambuco, como a restauração dos jardins da Academia Pernambucana de Letras.
Homenagem à cultura jurídica e humanística do escritor e ensaísta Jones Figueiredo, Presidente do Tribunal de Justiça de Pernambuco, que acaba de publicar substanciosa obra-comentário sobre o Novo Código Civil.

A Joezil Barros, na cimeira de pernambucanos notáveis, que dirigiram e sustentam o jornal mais antigo em circulação da língua portuguesa, em todo o mundo. Ao professor, cardiologista, historiador e acadêmico Rostand Paraíso, que representa o resgate fidedigno da cena recifense dos últimos cinqüenta anos. A tantos outros que a entidade houve por bem homenagear neste evento que celebra a cultura.
Os gregos costumavam distinguir os homens de valor que validavam sua civilização. E o faziam não “post-mortem”, mas “in vivo”. Nós, herdeiros da tradição helênica, estamos, neste momento, a repetir o gesto.
As diferentes instituições é que conformam um povo e estruturam a Nação. A Câmara Brasileira de Desenvolvimento Cultural vem assinalar hoje alguns dos mais representativos e notáveis homens e mulheres de Pernambuco. Por isso fazemos o prognóstico das benemerências com que ainda enriquecerão a nossa terra. Neste momento, a propósito, nos lembramos de um notável livro do nosso tempo da Faculdade de Medicina. Tratado de Semiologia, de Vieira Romero. Neste compêndio se fazia uma avaliação e se vaticinava o prognóstico quanto à vida, bem como o prognóstico quanto à saúde e validade. E o autor, para salientar a importância do assunto, utilizava o bom latim, marca da nossa sabedoria médica. “Prognosis quod vitam, prognosis quod valitudinem”. Prognóstico quanto à vida, prognóstico quanto à capacidade laborativa.

O prognóstico dos nossos homenageados, Sr. Presidente Alexandre Santos, além de tudo o que ofereceram, é o de que, ainda por muito tempo, continuarão a pontificar, enriquecer e validar a cultura pernambucana. “Prognosis ad bonum”. Prognóstico muito bom.

Improviso pronunciado na solenidade.
Publicado no Diário de Pernambuco em 11/01/2009.
 

(*)Waldenio Porto é Presidente da Academia Pernambucana de Letras