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Waldênio Porto* Ao ler o ‘Cucurriculum Vitae’ de Alexandre Santos me ocorreram os versos de Gregório de Matos, a respeito de um magistrado dos tempos coloniais:
São tantas as invocações e as qualificações a que atendes, por mérito próprio e reconhecimento público, que hesito em como tratar-te, meu amigo Alexandre Santos.
Guardas sem alardes as tuas
titulações, escondendo dos amigos as honras que conquistaste e os patamares
a que subiste. Tanto que me surpreendi ao descobrir-te comendador da Ordem
do Mérito Capibaribe e da Ordem do Mérito Manuel Antônio de Moraes Rego.
Isto sem falar dos títulos universitários que te fazem um profissional
respeitado e Presidente do Clube de Engenharia. Cresceste na arte engenharia, foste alvo do reconhecimento público e oficial pela competência. Galgaste a presidência da União Brasileira de Escritores e da Academia de Letras e Artes do Nordeste Brasileiro, como acentuava Nicolino Limongi, te fizeste conhecido por teu conhecimento de economia, engenharia financeira e sociologia. Como se tudo isso ainda não te contentasse nem satisfizesse, ampliaste a expressão do teu engenho enveredando pela literatura, onde encontraste a plenificação dos teus anseios de intelectual. Em, ‘O Moinho’, apareces como escritor maduro, dominando a engenharia literária, com a construção de uma trama densa, verossímil e atual. É uma obra que descobre um mundo novo e fascinante para o leitor e o faz refletir. Usas artifícios no pleno domínio da técnica de escrever. Crias expectativas. Ofereces várias opções, em determinados momentos, a escolher. Induzes, ofereces e negaceias. Enganas, deliberada mente, o leitor, conduzindo-o a escolher caminhos que, de repente, se esgotam. E, ardilosamente, direcionas a ação para veredas insuspeitas. Façanhas dessas só conseguem os escritores que atingem a maioridade. Como conseqüência dessa intensa atividade que lhe é tão própria.. surge a liderança cultural. Sabe que não é detentor da pré-ciência. Ninguém é dono da verdade. Tem o bom senso de escutar os outros para errar menos. Ouve a si próprio, coteja e decide. Depois de chegar à decisão, assume, enfrenta e luta, para torná-la realidade palpável. Tem a humildade de reconhecer os erros. Induz a confiança dos outros em si próprio. Tolerante, sem ser indeciso. Assume riscos e responsabilidades, como no caso de defender o terreno da UBE contra o esbulho pretendido pela Prefeitura. Já não cabe em Alexandre Santos o anseio-necessidade de modificar o mundo ao seu derredor e emprestar-lhe o arrojo e impetuosidade de sua ação. Já não cabe mais em si. E extrapola, faz-se visível. Assim, diante da tua personalidade multi-facetada, hesito em como tratar-te, Alexandre Santos. Comendador, presidente, engenheiro doutor, conferencista ou escritor? Ou ainda o "tu" de Gregório de Matos? Todas estas excelências coexistem dentro de ti. Por isso a homenagem que hoje se lhe presta, Alexandre Santos, tem todo o cabimento e oportunidade. Não se regateie pois o elogio a quem dele se fez merecedor. Porque o mérito não se impõe, se adquire! Recife, 09 de novembro de 2009 * Waldênio Porto é presidente da Academia Pernambucana de Letras
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