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CNa última
semana, bravos guerreiros pernambucanos dos quais nos fala Oscar Brandão
da Rocha no hino estadual foram amordaçados e expulsos do Palácio Joaquim
Nabuco por ordem do próprio presidente da Assembléia Legislativa do
Estado, o deputado Guilherme Uchoa, que, em gesto incompatível com a
grandeza do cargo que ocupa, exaltou o destempero e a truculência e
agrediu as entidades que integram o Fórum Pernambucano pela Ética na
Política, incluindo o Clube de Engenharia de Pernambuco e a Ordem dos
Advogados do Brasil, cujos presidentes foram hostilizados.
É uma história
que merece ser contada.
Em 18 de
setembro, cumprindo uma agenda que já deveria ter sido ultrapassada pelo
bom senso há tempos, representantes de diversas organizações que se
associam à luta pela ética na política compareceram à Assembléia
Legislativa de Pernambuco para manifestar apoio a projeto de lei que
extingue o nepotismo no âmbito do poder executivo. Ato simples: das
galerias, em silêncio, os manifestantes desfraldaram uma única faixa com
os dizeres ‘Nepotismo nunca mais’. Pronto! Ao ver a faixa, como que
atingido por um raio medieval, o presidente da Assembléia Legislativa de
Pernambuco, o deputado Guilherme Uchoa recuou nos tempos e, tomado por um
incontrolável acesso de ira, determinou que a faixa fosse imediatamente
recolhida. Ordem dada, ordem cumprida. E aí, a faixa, único elemento da
silenciosa manifestação, foi arrancada e rasgada pela polícia militar.
Naquele
instante, por conta da arrogância e do amor do deputado Guilherme Uchoa ao
nepotismo, a Assembléia Legislativa de Pernambuco recuou no tempo, sendo
remetida ao passado negro da censura. Por ordem do próprio presidente da
Casa, os pernambucanos tiveram cassado o direito de externar um pensamento
político. Foi, então, que, impulsionada pelo rubro sangue que corre nas
veias dos pernambucanos, o que era uma silenciosa manifestação contra o
nepotismo externada pela mudez da faixa ‘NEPOTISMO NUNCA MAIS’, virou uma
barulhenta manifestação pela liberdade de expressão. “ABAIXO A REPRESSÃO,
PELA LIBERDADE DE EXPRESSÃO” entoaram uníssonos os manifestantes.
Guilherme estrilou. Não suportando ouvir a voz do povo na casa do povo,
voltou a mobilizar polícia. Desta vez, a ordem foi de despejo. Ordem dada,
ordem cumprida. Puxados e empurrados, os representantes das entidades,
incluindo o presidente do Clube de Engenharia de Pernambuco, foram
expulsos da Casa de Tobias Barreto pela polícia militar.
No dia seguinte, confiantes em que o presidente Guilherme Uchoa tivesse
melhor refletido sobre a impertinência das suas atitudes, inclusive por
conta da repercussão negativa nos jornais pernambucanos, as entidades
voltaram às galerias da Assembléia Legislativa. Desta vez, contido na
vontade de atiçar a polícia contra os manifestantes, o deputado Guilherme
Uchoa voltou a mostrar desapego à boa educação e à democracia e centrou
fogo no presidente da OAB, Jaime Asfora, insultando-o e, com ele, toda a
sociedade civil.
Estes episódios deixam a impressão de que, mais que uma luta contra
práticas nefandas ao sentimento republicano – como é o caso do nepotismo
–, nos dias correntes, os pernambucanos também precisam lutar pelo
restabelecimento de direitos democráticos básicos, como o direito de
expressão e manifestação. No imaginário do presidente da Assembléia
Legislativa, ainda vivemos nos tempos de chumbo, nos quais as
manifestações populares eram sufocadas pela força. Mas, os tempos são
outros e, mesmo correndo o risco de incompreensões e retaliações, podemos
dizer o que pensamos. Assim, alto e bom som, podemos dizer que, com suas
atitudes autoritárias, o deputado Guilherme Uchoa denigre o cargo que
ocupa e envergonha todos os pernambucanos, até mesmo os anti-republicanos,
que aceitam o nepotismo.
Pega tua moto,
Guilherme, e vai sem destino.
Abaixo o
nepotismo! Viva a democracia!
Texto publicado no Blog do Magno.
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