Sobre Alexandre Santos

Sylvana Brandão*

De início, cabe registrar meu orgulho e minha alegria em estar presente na União Brasileira de Escritores – Sessão Pernambuco. Mais ainda, o motivo da minha presença: falar sobre Alexandre Santos. Um paradoxo: concomitantemente fácil e difícil. Fácil, porque Alexandre Santos é, como todos sabemos, uma pessoa gentil, educada, cordial, inteligente, afável, sedutora e aglutinadora. Difícil, porque é genial. Como ultrapassa os limites dos talentos específicos e faz confluir várias atividades e vários pensamentos, se torna, por conseguinte, avesso à síntese.

Alexandre é plural. Plural no sentido de transversatilidade. Um mágico “faz-tudo”. Seja o tudo aqui compreendido como a volubilidade de aderir formas, discursos, transfigurá-los e criar algo novo; seja no exercício da profissão específica, seja no exercício da criação poética, textual e agregadora de cenários e negociações políticas e afetivas. Cabe registrar o talento raro de um homem aberto ao diálogo, à absorção do novo e à capacidade extraordinária de romper com aquilo que não faz mais sentido.

Fui professora e co-orientadora de Alexandre Santos em um trabalho intitulado “UMA ABORDAGEM DA ECONOMIA DE COMUNHÃO COMO ESTRATÉGIA PARA O DESENVOLVIMENTO LOCAL: O caso das empresas instaladas na região metropolitana do Recife”, durante o período entre 2006- 2007. Como aluno, Alexandre sempre foi provocativo. Na época, era minha função lecionar Seminário de Dissertação. Alexandre, sempre inquieto, me pôs várias vezes em situações difíceis de contornar; com fluidez, tentava me desviar de lecionar assuntos técnicos com indagações históricas e filosóficas.

Imaginem vocês, eu com um programa previsto inicialmente, responder sobre Império Grego, Romano ou História do Brasil! Deuses e deusas diante de mim, um aluno apaixonado por História e Filosofia; e eu submissa às normas da ABNT e elaboração de projeto. Foram muitos os esforços que eu fiz para não desviar o conteúdo programático e adentrar no mundo maravilhoso que Alexandre me pedia.
Na solidão do meu desempenho enquanto docente muitas vezes me questionei: por que mesmo tenho de ensinar ABNT, quando tenho espaço para filosofar e versar sobre cenários históricos? Alexandre, você não tem dimensão do quanto me fez tentar rasgar a ABNT. Espero que os outros alunos tenham compreendido o alto grau de interlocução que você propunha; e que você tenha consciência, talvez no futuro, do que me fez passar.

Quando me convidou para discutir sobre Economia Solidária, sequer sabia de Economia de Comunhão. Fiquei maravilhada como, em tão pouco tempo, você fez ilação entre os dois temas supramencionados e rapidamente definiu o objeto de análise, fazendo confluir sobre os Focolarinos tais vertentes de estudo.

Alexandre, não posso dizer “O Grande”. A História já registrou. Posso dizer: “Alexandre, O Sem Limites”. Enquanto aluno e co-orientando, jamais fez sobressair os 18 livros publicados. Desde sempre um sábio, porque compreende a humildade.

Todo professor de Universidade Federal é sempre sobrecarregado. Deseja, por conseguinte, alunos disciplinados, versáteis, abertos ao diálogo e amigáveis. Tive de você como professora e co-orientadora, apenas alegria. Aqui vamos definir alegria: gentileza, bom ouvinte, bom caráter, aberto às sugestões. Das lembranças que tenho da sua turma, você como representante nunca teve rejeição. Nossa, Alexandre! Nem Jesus foi unanimidade! É bom pensar sobre isso...

Em sua defesa de dissertação, nada a contestar. Apenas elogios. Decorrente dela, já artigos publicados e muito mais o que fazer. Sou professora há 28 anos, quisera os deuses e as deusas que muito mais “Alexandres” houvessem. Seria eu, pois, então melhor professora, porque teria melhores interlocutores. Até onde tenho acompanhado, sua turma sente saudade dos tempos de aula e de elaboração de dissertação, além de sua elegância e competência como representante discente. Hoje como coordenadora do Mestrado em Gestão Pública, me sinto orgulhosa de ter formado um excelente Mestre. Sinto-me orgulhosa da sua amizade, da pessoa que você é, da pessoa que sei que tornar-se-á . Segundo Heidegger, do “vir a ser”.

Por fim, como gratidão, tenho apenas a registrar: obrigada por ser Mestre em Gestão Pública, por ter sido meu aluno, por ter sido sua co-orientadora. Da minha parte conte sempre com um abraço afetuoso e minha admiração.

OS: O céu é o limite, alguns dizem. Você não tem céu, tem o universo. Continue fazendo por onde!

                                                                                                                                  Recife, 09 de novembro de 2009

*A doutora Sylvana Brandão é coordenadora do Mestrado em Gestão Pública para o Desenvolvimento do Nordeste da UFPE