O MPANE na mira dos skinheads

NEm 10 de outubro de 2007, a Coordenadoria de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), órgão do Ministério da Educação, anunciou o descredenciamento do mestrado em Gestão Pública para o Desenvolvimento do Nordeste mantido pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), também conhecido em alguns círculos como o “Mestrado da Sudene” – um curso de importância estratégica para o desenvolvimento da região, que conta com professores de quilate internacional, como Rezilda Rodrigues, Sylvana Aguiar, Tânia Barcelar, Raimundo Vergolino, Cátia Lubambo, Jorge Zaverucha, Davi Bezerra, Georges Pellerin, Francisco Ribeiro, Suely Leal, Marcelo Medeiros e Maria José de Araújo Lima, e que já formou mestres do gabarito de Paulo Câmara, secretário estadual de administração em Pernambuco e George Emílio Bastos Gonçalves, secretário-geral do Centro de Estudos do Nordeste (Cenor), entre outros.

Estratégico para o desenvolvimento da região, inclusive pela inserção que tem nos principais seguimentos da sociedade, a extinção do mestrado em Gestão Pública para o Desenvolvimento do Nordeste era previsível – previsível exatamente por aquilo que ele representa. Afinal de contas, infelizmente, um curso que forma profissionais de alto nível para atuar na gestão pública em ações que visam o desenvolvimento, e, ainda por cima, do Nordeste, não convém às forças que comandam este governo, especialmente o Ministério da Educação, que é controlado por interesses sudestinos, sobretudo paulistas.

As razões que levaram o MEC a descredenciar o mestrado da Sudene estão no próprio nome do curso: “Gestão Pública para o Desenvolvimento do Nordeste”. Gestão Pública? Em que isto interessa a um governo, que, como sobejamente tem demonstrado, no ritmo da causa gerencial do ex-ministro Bresser Pereira, vem cultivando modelos de gestão privada para as coisas públicas? Gestão Pública para o Desenvolvimento? Em que isto interessa a um governo que, fora o discurso oficial do crescimento econômico, até agora não deu um único passo significativo para promover o desenvolvimento do país? e, finalmente, Gestão Pública para o Desenvolvimento do Nordeste? Em que interessa às forças sudestinas que controlam o governo o crescimento econômico e o desenvolvimento do Nordeste?

Vítimas do mesmo algoz, o descredenciamento do mestrado em Gestão Pública para o Desenvolvimento do Nordeste da UFPE tem o mesmo sabor do processo de sucateamento e desmonte pelo qual passa atualmente a Fundação Joaquim Nabuco. A propósito, nunca é demais lembrar que, há poucos anos, este mesmo MEC que, agora, quer privar a região de um mestrado em gestão pública para o desenvolvimento, descredenciou curso semelhante que a Fundação Joaquim Nabuco oferecia.

O descredenciamento do mestrado em Gestão Pública para o Desenvolvimento do Nordeste neste momento especialíssimo de recriação da Sudene e de luta contra o sucateamento e desmonte da Fundaj tem um claro significado, confirmando que não interessa a este governo a formação local de pessoal de nível superior capaz de conduzir processos de desenvolvimento da região.

Mas, antes que os skinheads do MEC cantem vitória, é bom lembrar que em cada um dos nordestinos vive um guerreiro disposto a lutar até o fim pelas coisas da sua terra. Quem avisa, amigo é.

Texto publicado no Blog do Magno.