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Em
outubro de 2004, reunidos no V Congresso Estadual de Profissionais
promovido pelo CREA-PE, os engenheiros, arquitetos e agrônomos
pernambucanos aprovaram por unanimidade uma
moção
propondo que o governo federal adote medidas visando o fortalecimento do
mercado interno do país. Na justificativa da moção, destacava-se o
argumento de que ‘a progressiva debilidade do poder aquisitivo da
população brasileira provocou o (igualmente progressivo) enfraquecimento
do mercado interno do país, afetando negativamente o baixo poder
aquisitivo que lhe deu origem, compondo um perigoso círculo vicioso:
baixo poder aquisitivo enfraquece o mercado interno e o enfraquecimento
do mercado interno enfraquece, ainda mais o poder aquisitivo da
população’.
Como
esperado, a moção dos engenheiros pernambucanos não mudou a política
econômica do governo federal, que mantém um modelo centrado no comércio
externo, debilitando todos os setores cujo funcionamento dependa do viço
do mercado interno e, conseqüentemente, do aumento do poder aquisitivo
da sociedade brasileira.
Infelizmente a realidade vem mostrando que estamos trilhando caminho
inverso daquele proposto pelos engenheiros pernambucanos. Em 7 de
setembro deste ano, ao tempo que o povo brasileiro comemorava o Dia da
Independência, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD)
divulgava seu relatório anual, indicando que, em 2003, além de uma
significativa queda no PIB per capita, então reduzida de US$ 7.916 para
US$ 7.790 – que manteve o Brasil na 63ª posição no ranking de
Desenvolvimento Humano, atrás de seis países latino-americanos
(Argentina, Chile, Uruguai, Costa Rica, Cuba e México) – nosso país
também conservou brutal concentração de renda, permanecendo na 8ª
posição no ranking da desigualdade, à frente apenas da Guatemala,
Suazilândia, República Centro Africana, Serra Leoa, Botsuana, Lesoto e
Namíbia. Para constatar essa condição não seria necessário apurar-se o
0,503 ponto que corresponde ao nosso Coeficiente de Gini – parâmetro
internacionalmente usado para medir a concentração de renda –, basta ler
os jornais. De fato, num processo que ganhou mais força nas últimas duas
décadas, a crescente dificuldade para adquirir meios para garantir a
sobrevivência tem levado muitas pessoas a práticas não econômicas como a
mendicância e o crime famélico, daí o aumento das populações
encarceradas no inferno das prisões e no abandono das ruas.
Não
é esse o Brasil que queremos. Queremos um Brasil no qual as pessoas
tenham renda para adquirir os bens que atendam seus requisitos básicos
sem a necessidade de recorrer a artifícios humilhantes ou ilegais. Por
isso, o clube de engenharia de Pernambuco se irmana às conclusões do V
Congresso Estadual de Profissionais e pede o redirecionamento da
política econômica de modo a fortalecer o mercado interno do país,
estimulando as empresas e fortalecendo o poder aquisitivo das pessoas –
uma situação que espargirá benefícios por toda a economia, gerando uma
onda de desenvolvimento.
O
mercado interno deve ser o eixo do desenvolvimento econômico do país,
pois democratiza os benefícios e amplia o número de beneficiários,
contribuindo efetivamente para a redução do desemprego e fortalecimento
da empresa nacional.
Publicado originalmente
na Folha de Pernambuco, em sua edição de 13 de setembro de 2005.
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