ESCRITOR PERNAMBUCANO

Meraldo Zisman*


DESCORTINADO RONALDO é o titulo da matéria assinada pelo jornalista Paulo Carvalho, sobre a Mesa Redonda, realizada em homenagem ao escritor pernambucano-cearense Ronaldo Correia de Brito, no decorrer da oitava edição da Bienal Internacional do Livro de Pernambuco (conferir no Diário de Pernambuco, Caderno Viver, 30/09/2011, assinada pelo jornalista Paulo Carvalho). Na matéria, comenta o meu colega homenageado (soube que ele é medico):

“Tenho uma grande afinidade com escritores judeus, Kafka, Bruno Schulz, Saul Bellow, Isaac Babel - algo que não deve ser em relação ao estilo e nada disso, mas tem a ver com um sentimento que Bruno Schultz experimenta. Perguntavam a ele: por que escreve em polonês e não no seu idioma, o iídiche? E ele dizia: Porque eu não sou do gueto. Eu como escritor, me sinto um tanto assim. Nem sou polonês, nem sou do gueto. Ou seja, ao mesmo tempo em que não há sujeito mais nordestino do que eu, não há sujeito menos nordestino do que eu”...
Sinto-me no dever de acautelar os que saem em defesa do livro pernambucano, grupo do qual faço parte. É passada a época dos queixumes contra as grandes Editoras e empresas distribuidoras de livros, sediadas no eixo Rio-São Paulo. Elas são discriminatórias para com os autores pernambucanos, salvo as raras exceções de praxe. Adianto que, todas elas, estão com seus dias contados, a não ser que venham sofrer um processo de “reengenharia”.

Como psicoterapeuta, aprendi, com meus Mestres, que é, no mínimo, pueril, a atitude de se colocar a culpa, em outrem, por tudo o que nos acontece de errado. É preciso saber, em primeiro lugar, para onde vamos. Quem não sabe para onde vai, quem desconhece ou minimiza a importância dos obstáculos, qualquer caminho é pertinente e/ou correto. Necessitamos, então, coordenar atitudes conjuntas, que sejam isentas de posições narcisistas, como uma corrente da qual não se conhece o fim.

Acredito, também, que é importante recordar o jornalista Joezil Barros, Presidente do Diário de Pernambuco, que abrigou, promoveu e realizou, dos dias 31 de outubro a 1° de novembro de 2008, com inscrição gratuita, o Encontro Mídia e Literatura, para comemorar o Bicentenário da Imprensa Brasileira. O evento teve o objetivo de viabilizar, ao público, a democratização da informação, no processo de desenvolvimento social, facilitando a mediação e o dialogo entre os meios de comunicação e os gêneros literários. O evento obteve um enorme sucesso por parte do público, embora tenha havido, na prática, a ausência da maior parte do nosso mundo acadêmico.
Seria uma falsa modéstia omitir os nomes dos Coordenadores de Mídia e Literatura, o intelectual Roberto Pereira, bem como as jornalistas Conceição Cavalcanti e Rosangela Barros, e a pessoa que assina esta croniqueta. Para concluir, parafraseio o Mestre Sigmund Freud: "somente os tolos se queixam". Os ponderados continuam a lutar! Mormente agora, quando Pernambuco, finalmente, parece ter engrenado o processo de desenvolvimento.

(*)Meraldo Zisman é medico psicoterapeuta