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Os empresários
nacionais - justamente, diga-se de passagem - costumam acusar a
elevadíssima carga que as obrigações sociais e previdenciárias representam
na Folha de Pessoal como uma das principais causas do desemprego. Dizem
que, por conta desses custos, são estimulados a substituir o homem pela
máquina, etc e tal. Sentem-se, então, inocentados de toda e qualquer culpa
pelo desemprego que provocam na esteira da modernização que perseguem
insistentemente. Afinal de contas, ao mecanizar e informatizar as
empresas, além dos ganhos operacionais, escapam de custos previdenciários
"absurdos", ganhando pontos preciosos na corrida pela competitividade, tão
necessária ao bom desempenho na arena do comércio internacional.
Nesse ponto, "preocupados" com o desemprego e com a instabilidade social
decorrente, os técnicos neoliberais que assessoram os governos da
"Modernidade" (entre os quais se alinha o do presidente Cardoso) colocam a
cabeça para pensar e logo descobrem que "para reduzir o desemprego é
necessário livrar a Folha de Pessoal de parte dos custos que as obrigações
sociais e previdenciárias representam". Até aí todos concordam. A visão
neoliberal, no entanto, sempre antolhada por conveniência, percebe apenas
um tipo de solução e proclama que a redução das obrigações sociais e
previdenciária nas Folhas de Pessoal implica necessariamente na redução
dos direitos sociais. "Só com a eliminação ou redução dos direitos sociais
(que alguns, mesmo, chegam a chamar de "abusos sociais") - dizem os
neoliberais - é possível reduzir-se o impacto desses custos absurdos sobre
a Folha de Pessoal e estimular o emprego". E, orgulhosos da sua esperteza,
apresentam planos e mais planos para a redução dos direitos sociais. Uns
falam em "Contratos Especiais Temporários", outros falam em extinção desse
ou daquele "direito". Quer dizer, esses tais "modernos" inventam a fórmula
do aumento do desemprego e, como solução, têm a petulância de sugerir a
eliminação dos "direitos sociais".
É imperativo que as Folhas de Pessoal sejam desoneradas das chamadas
obrigações sociais e previdenciárias. Isso ninguém discute. Não se pode,
no entanto, cogitar da redução dos "direitos sociais" que, ao contrário,
devem ser ampliados. Mas, para isso, há a necessidade de uma verdadeira
"revolução" nos mecanismos usados para o seu financiamento. De fato, a
solução deste e do grave problema de caixa que afeta a Previdência Social
pode ser alcançada com uma mera alteração da fonte dos recursos que os
financiam. As obrigações sociais e previdenciárias devem incidir sobre o
faturamento das empresas e, não sobre sua Folha de Pessoal. Essa simples
alteração da base de cálculos, desonerando as Folhas de Pessoal das
obrigações sociais e previdenciárias, retira parte do estímulo para a
substituição dos homens pelas máquinas. Além disso, as empresas
"desumanizadas", que hoje pouco ou nada contribuem para a nossa
Previdência, passam a financiar os mecanismos de previdência e de
seguridade social.. Mas, como essa "revolução" no mecanismo de
financiamento da previdência mexe com muitos interesses, inclusive com a
nossa capenga Política Industrial, é de se esperar que, sequer, seja
cogitada pelos "liberais no poder".
Editorial de 'O Libertador', na primeira
quinzena de 1996.
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