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Desde 1960,
quando foi instituído no I Festival do Escritor Brasileiro, o dia 25 de
julho marca o Dia Nacional do Escritor. A sociedade brasileira tem, então,
a chance de render homenagem àqueles que usam a palavra escrita como
matéria-prima da arte. Feliz a iniciativa da União Brasileira de
Escritores (UBE) de chamar atenção para os escritores – artistas que,
dando vida às palavras, descrevem a estrutura universal dos sonhos e
realidades, relatando as complexidades e simplicidades da vida e da morte,
da paz e da guerra, do ódio e do amor, da alegria e da tristeza,
eternizando pelas letras, as cores, os sons, os movimentos e os sabores da
história de tempos pretéritos, presentes e futuros. Como os músicos,
pintores, escultores e atores, que revelam sua arte através de canções,
quadros, esculturas e dramatizações, o escritor expõe os pensamentos,
opiniões, sentimentos e sensações através de textos – obras de arte que
despertam emoções e arrebatam corações e mentes de leitores.
A obra de arte
do escritor não é um simples ajuntamento organizado e bonito de palavras.
É uma viagem. Viagem literária por ares e ondas que conduzem o leitor às
diversas belezas e verdades do mundo, um mundo tão mais (ou menos)
facetado, sonoro, colorido, prazeroso e saboroso quanto maior for a
ousadia e o talento do timoneiro, abrindo-lhes novas perspectivas e
oportunidades. Por isso, os livros fazem rir, chorar, recordar, pensar,
refletir.
Alguns dizem
que todo dia é dia para se ler alguma coisa e, portanto, todo dia é Dia do
Escritor. Estes pensam, com razão, que ao colocar os olhos em um texto,
criando o momento mágico da interlocução remota com o autor, o leitor
homenageia aquele que o escreveu. Infelizmente são poucos os que fazem (ou
podem fazer) esta homenagem. Muitos sequer sabem ler ou compreender o que
lêem. Vivemos num país de pouca leitura. Uns não lêem ou lêem pouco por
falta de hábito, outros por falta de oportunidade, outros, ainda, por
questões sócio-econômicas.
Os indicadores
do IBGE apontam que, em Pernambuco, 18,5% da população não sabe ler. Este
número fica mais dramático nas zonas rurais, onde 35% das pessoas são
analfabetas. Além destes, outros, embora alfabetizados, não conseguem
entender as coisas que lêem, sendo, portanto, analfabetos funcionais. Além
da dramática renitência do analfabetismo real ou funcional, o brasileiro
não cultiva o hábito da leitura. Em artigo publicado recentemente, depois
de informar que apenas um terço da população adulta brasileira não costuma
ler livros, ‘The Economist’ aponta que, situado na 27ª posição de um
ranking de 30 países, com apenas 5,2 horas semanais de leitura, o
brasileiro lê apenas 1,8 livros não-acadêmicos por ano (menos da metade do
que se lê nos EUA ou na Europa). Não é à toa que, em termos per capita,
anualmente são produzidos 11 livros nos EUA, 7 na França 7 e apenas 2,4 no
Brasil. Esta ambiência de pouca leitura se reflete no baixo número de
bibliotecas existentes no país, Pesquisa da secretaria de Política
Cultural do Ministério da Cultura apontou apenas 3.896 bibliotecas
públicas em todo o país.
Como a leitura
é um elemento básico do desenvolvimento sustentável, indicando a efetiva
realização dos direitos culturais – uma das principais vertentes dos
direitos sociais –, por mais que alguns tentem negar ou esconder, este
panorama indica baixo nível de desenvolvimento social, aumentando o
desafio daqueles que cultivam a responsabilidade cultural.
Em Pernambuco,
aproveitando as comemorações do cinqüentenário da União Brasileira de
Escritores (UBE-PE), ao tempo que homenageia os romancistas, cronistas,
contistas, ensaístas, poetas e escritores de gêneros experimentais e
futuristas de todo o País, a Câmara de Sustentabilidade e Responsabilidade
Cultural reafirma seu compromisso com o desenvolvimento de projetos
culturais sustentáveis, ampliando o espaço de atuação dos artistas da
palavra e a oportunidade para que todos possam desfrutar a arte
esparramada sobre papéis ainda pouco lidos.
Viva o
escritor brasileiro!
Texto publicado na Folha de Pernambuco.
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