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Olímpio Bonald -
Presidente Emérito da UBE
Carlos Cavalcanti*
Ultrapassa meio século a nossa
UBE. Lembrando-nos da célula-mãe, Associação Brasileira de Escritores, ABE,
temos ali a semente plantada em terra fértil nos idos de 1948, já sob a
idealização e liderança de Paulo Cavalcanti, Abelardo da Hora, Luiz Delgado,
Mauro Mota, muitos outros intelectuais da época inclusive Gilberto Freyre e
do digno homenageado desta noite, Olimpio Bonald Neto.
Uma década depois, em 1958, nascia esta associação. Desde os outros
endereços: Associação de Artes Modernas, na Rua Amélia, Livraria Imperatriz,
Livro Sete, até a construção e manutenção desta vetusta casa, os gestos, as
palavras, a dedicação e o empreendedorismo de quantos por aqui passaram
fizeram deste sodalício a genuína “Casa do Escritor Pernambucano”. Sob este
teto e nas demãos de tintas das incontáveis pinturas dessas paredes estão
registradas as benfeitorias e as inspirações de todas as diretorias,
presidentes, poetas, artistas e escritores associados desta instituição.
Nosso maior respeito à União Brasileira de Escritores de Pernambuco.
Olímpio Bonald Neto, fundador e veterano da trajetória ubeana, um dos seus
grandes presidentes e incansável colaborador recebe hoje o titulo de
Presidente Emérito da UBE. Comenda essa que chega em boa hora: atende aos
anseios do ex-presidente Vital Corrêa de Araújo e concretiza o apoio e a
determinação do atual presidente Alexandre Santos.
Olímpio tem um quê de autenticidade silvestre: semelha-se às aves com suas
espontâneas semeaduras, ao vento bonançoso das tardes nordestinas, às
abelhas fertilizadoras e à própria vocação das flores do campo que geram
sementes para a distribuição natural da vida e faz renascer outras plantas,
outras aves e outros seres vivos para a complementação de um todo chamado
Natureza. Natureza essa, que para ele complementa-se com a literatura. Este
acadêmico, na sua simplória, porém sábia e profícua vida literária usa a
simplicidade que lhe é peculiar, para dar vazão à inclinada vontade de
ajudar a todos aqueles que militam na vida literária. Não apenas do Recife e
do interior de Pernambuco, mas também de todo o Nordeste brasileiro.
Este homem/doação enfrenta noites chuvosas, sol causticante, estradas
longínquas, qualquer sacrifício, para atender a convites literários e para
prestigiar, com sua espontânea e muitas vezes humorística presença, os
eventos, grandiosos ou simples, desde que a arte literária, especialmente, a
poesia, seja promovida nesses ambientes. E isso não é de agora. Olímpio
acompanhou e acompanha a UBE nas horas de glórias e de atropelos. Já a
representou, juntamente com Paulo Cavalcanti, em todo o Sul e Sudeste do
Brasil. Amargou o silêncio das palavras desta casa no período de 1964 a
1984, quando o peso do chumbo vedou a garganta da liberdade, castrou o
idealismo da juventude e anestesiou as cordas vocais dos poetas e dos
democratas deste País.
Sendo um poetavivo por excelência, Olímpio mesmo assoberbado com os
quefazeres acadêmicos, com as dezenas de livros que escreveu e escreve,
ainda encontrou tempo, além do dedicado a esta casa e fundou em Olinda a
Sociedade dos Poetas Vivos, verdadeira oficina coletiva de poesias. Ambiente
desprovido de qualquer hierarquia administrativa. Totalmente democrático, a
que ele denomina de sociedade anárquica.
Os escritores pernambucanos atuais, especialmente os que convivemos com a
UBE, devemos muito a este bondoso confrade, não apenas pelo prestígio que
ele oferece com o seu vasto saber, mas, especialmente, pelo apoio
costumeiro, dele e de Zenaide, a sua musa inspiradora, por frequentarem
todos os eventos literários de cada um de nós, onde além de comprar nossos
livros, nos incentivam a continuar no cansativo e salutar ofício de
escrever.
A UBE não seria a mesma sem que no decorrer da sua existência não contasse
com homens da estirpe deste escritor plural, folclorista, poeta e contista
dos melhores de nossa contemporaneidade.
Merece o nosso aplauso o título que hoje é conferido por esta instituição a
este insigne, devotado, operoso, solícito e merecedor de todas as
homenagens, da UBE e de outras congêneres de Pernambuco.
Encerro as minhas palavras com um soneto dedicado a este singular
companheiro das letras de nossa terra:
DÁDIVA DIVINA
É dádiva divina ser poeta!
Quem sabe, Deus escolhe na indulgência
da pobre humanidade, em conseqüência
de ter o humano Ser alma incompleta?
E quando surge a escolha, a complacência
é tão imensurável, tão correta,
que vemos no escolhido um ser esteta,
artista universal por excelência!
O vate, de quem falo neste instante,
é este amigoirmão, astro brilhante
que visto de outra forma é tão debalde
quão não ver a beleza do luar.
Por isso quero agora homenagear
Nosso Emérito Olímpio Bonald!
Recife, 23 de julho de 2009
(*) Carlos Cavalcanti é Presidente
da Academia de Artes, Letras e Ciências de Olinda.
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