|
Entre as
notícias que movimentaram o primeiro dia de novembro de 2007 esteve a
morte de Paul Tibbets – um homem que, cumprindo ordens do presidente dos
EUA, com um só disparo assassinou a sangue frio mais de 80 mil pessoas,
mutilando outras tantas, espalhando pavor e sofrimento pelo planeta
inteiro.
Este tal Paul
Tibbets não morreu na forca, como Saddam Hussein, em combate, como Che
Guevara, ou foragido, como está Osama Bin Laden. Protegido pelos EUA, o
facínora morreu na mais alta patente do exército estadunidense em sua
confortável casa, em Columbus, no estado de Ohio, no norte dos Estados
Unidos. Mas, como acontece com outras bestas humanas, depois do grande
crime até morrer, aos 92 anos de idade, Paul Tibbets foi recusado pelos
céus por 62 longos anos e curtiu seu inferno na Terra, atormentado por
todos os demônios que ajudou a criar ao longo da vida.
Mas quem foi
Paul Tibbets?
Paul Tibbets
foi o facínora que, às 08h15 do dia 06 de agosto de 1945, no posto
tenente-coronel da força aérea dos EUA, entrou para a galeria dos grandes
criminosos de todos os tempos ao fazer a estréia da mais perigosa arma de
destruição em massa já criada pela tecnologia da morte. Naquele dia, como
comandante do bombardeiro SuperFortress B-29, por ele batizado ‘Enola Gay’
em homenagem a própria mãe (que, pelo jeito, devia ser uma quenga
desalmada), juntamente com outros 11 terroristas, Paul Tibbets lançou a
bomba atômica sobre a cidade de Hiroshima, no Japão – um petardo
malevolente chamado de ‘Little Boy’ –, que, sob a bola de fogo logo
transformada em nuvem púrpura em forma de cogumelo, espalhou morte e
sofrimento de forma indiscriminada. Sempre homenageado pelos colegas de
inferno, Paul Tibbets ainda permaneceu no exército dos EUA, que em 1959 o
promoveu ao posto de general-de-brigada, até 1966, quando se retirou para
fazer malvadezas em outros lugares.
É claro que,
das bestas humanas envolvidas naquele episódio, Paul Tibbets e seus
colegas de avião estavam na ralé.
A besta maior
era um mega terrorista chamado Harry Salomon Truman, que assumira a
presidência dos EUA em 12 de abril daquele ano. Tendo participado com
Josef Stalin e Winston Churchill da Conferência de Potsdam (na qual a
Alemanha foi dividida nas bandas Oriental e Ocidental) entre 17 de julho e
02 de agosto, Truman sabia perfeitamente que a II Grande Guerra estava no
fim e, portanto, que não lhe restaria muito tempo para comandar as
chacinas que desejava. Resolveu, então, apressar-se para deixar sua marca
sangrenta na história. Sabendo da capacidade destruidora da bomba nuclear
que fora testada em 16 de julho no deserto do Novo México, Truman
autorizou os ataques nucleares que, de forma desnecessária, mataram mais
de 200 mil inocentes em Hiroshima e Nagasaki. Naquele momento, o
entusiasmo malévolo de Truman foi tão grande que, ao agraciar Paul Tibbets
com a medalha militar Distinguished Service Cross, manifestou vontade de
não dividir aquelas mortes com ninguém, tendo afirmado para os pequenos
demônios que se prostravam à sua frente: “não percam o sono por terem
cumprido essa missão; a decisão foi minha, vocês não podiam escolher”.
Não satisfeito
com as malvadezas que já perpetrara, em junho de 1947, ao tempo que
declarava a chamada ‘guerra fria’ contra a então URSS, esse tal Truman
criou a CIA – agência que, desde então, vem insuflando irmãos para
promover golpes de estado nos quatro cantos do planeta, promovendo
assassinatos e interrogatórios sob tortura por toda parte. O sucesso desse
mega terrorista foi tão grande que, reeleito presidente dos EUA em 04 de
novembro de 1948, Truman deu início a guerra da Coréia em 1950 e
patrocinou o famigerado ‘Comitê de Investigações das Atividades
Anti-Americanas’, entregue à sanha do Senador Joseph MacCarthy. Mas, como
um bom demônio, Harry S. Truman também teve tempo para curtir seu inferno
pessoal aqui na Terra, tendo vivido longos 88 anos até 26 de dezembro de
1972, quando morreu em Kansas City, igualmente solto e protegido pelo
exército dos EUA dos milhares de inimigos que fez na longa vida.
Vida de
demônio não deve ser fácil. A propósito, alguém sabe por onde anda Ariel
Sharom?
Texto publicado no Blog do Magno.
|