Olímpio Bonald Neto

 


Bacamarteiros, cultura e turismo

Olimpio Bonald Neto*

Registro um fato do maior interesse turístico a ser incluído nas atrações culturais pernambucanas. Foi criado em Abreu e Lima, ao norte da Região Metropolitana do Recife, mais um polo de Bacamarteiros.

No ano passado, em maio 2008, mais de 500 estudantes, professores, comerciantes, famílias, congregações, corais, músicos, autoridades, convidados e os Bacamarteiros do Cabo, Bonito e Abreu e Lima participaram da solene Missa cantada, oficiada pelo Padre Manoel Marques de Miranda, que, ao encerrar o mês Mariano, abençoou o Grupo Folclórico Bacarmateiros Mandacaru (GFBM).

A centenária manifestação cultural pernambucana exibe-se em Abreu e Lima, há mais de 8 anos, especialmente no período junino, tendo sido oficializada, com o registro em 2002. Os primeiros associados eram de famílias de atiradores de Orobó, Bom Jardim e Limoeiro, netos do velho Manoel Gonçalves da Silva, que residem em Abreu e Lima.

O GFBM é presidido por José Carlos, "Boy", tem sede própria na praça, ao lado da Matriz e congrega mais de 27 associados, incluindo duas atiradoras, três porta bandeiras, uma enfermeira, um segurança de incêndio e um polveiro - o Mestre Chico, que faz os cartuchos de pólvora seca.

E todos desfilaram, sob o comando do Capitão Joaquim Cipriano, ao som do Zabumba e acompanhados pelos bacamarteiros-mirins. As armas de festejo - réplicas niqueladas das granadeiras da Guerra do Paraguai - estão matriculadas pelas autoridades militares, na forma do Dec. Nº 2.2222 de 08/05/1997 que regula a Lei 9.436 de 20/02/97. (Ver o nosso livro Bacamarte, pólvora e povo, Recife , Ed. Bagaço 2004).

Daí o meu interesse em divulgar esse evento que aumenta o poder de Atração Turística Diferencial Específica de nosso estado.

PS: Todavia, sinto-me obrigado a reclamar o modo como autoridades, as lideranças turísticas e empresariais de Caruaru - continuam tratando os Bacamarteiros diante da absoluta falta de notícias sobre eles nas festas juninas, que vem desde o ano de 2008.

Com tal atitude o polo turístico-cultural de Caruaru, que quer atrair milhões de visitantes, comete grave erro contra o Turismo, a Cultura Popular Nordestina e a sua própria Tradição Bacamarteira.

Trai, ainda, a memória de famosos caruaruenses como o Major Emídio do Ouro, do Batalhão 333 e seus abnegados atiradores que, por muitas décadas, encantaram as festas cívicas e juninas locais. Sem esquecer o lendário Capitão Eliel, - Casimiro Pedro da Silva, o comandante Sebastião José de Torres da Associação dos Bacamarteiros de Caruaru e, mais recentemente, a bacamarteira honorária, Dra. Socorro Maciel, esta que tanto trabalhou para que, Caruaru, seus 25 batalhões e 850 atiradores com seus bacamartes centenários estejam hoje, todos, devidamente legalizados.

O que está acontecendo?
 

(*)Olimpio Bonald Neto é Vice-Presidente da UBE-PE