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Alexandre Santos* A organização cultural como elemento de desenvolvimento e de resistência A realização do bem estar social requer o exercício livre e desembaraçado da comunicação – relação entre pessoas que compreendem e são compreendidas –, elemento que, embora não constitua fim em si mesmo, é indispensável para a conquista de qualquer objetivo comum. Não é outro o ensinamento da lenda da Torre de Babel, cuja construção deixou de ser efetivada pela repentina profusão das línguas, impedindo que as pessoas se compreendessem.
A lógica reversa aponta que a
eliminação do ‘efeito Babel’ é pressuposto essencial aos empreendimentos que
almejam sucesso. Esta condição aumenta a responsabilidade política e social das agremiações e movimentos literários e, sobretudo, dos escritores – todos eles – , que são, em última análise, instrumentos de divulgação e preservação da língua. Vale destacar que, embora possam evoluir , as palavras não devem ser manipuladas para atender a interesses espúrios. Não devem ser usadas de forma irresponsável para que assumam significados diversos dos seus, de modo a confundir as pessoas em sua boa fé, em verdadeiros estelionatos lingüísticos que visam ajustar conceitos amplos a interesses mesquinhos em contextos limitados. Nesta perspectiva, as agremiações e movimentos literários e, sobretudo, dos escritores constituem uma trincheira privilegiada de defesa da língua portuguesa, desestimulando a ação dos salteadores da palavra, sendo, assim, um importante bastião de defesa da democracia e do bom relacionamento entre as pessoas. Por tudo isto, a integração, articulação e conexão das entidades, movimentos e escritores em projetos e parcerias, além de gerar um circuito de fortalecimento mútuo, constitui um elemento essencial para a consolidação da democracia, do desenvolvimento pleno da sociedade e felicidade social. Dito de outra forma, pode-se afirmar que, integrados, articulados e conectados, os escritores e demais interessados na literatura e nas artes de modo geral se fortalecem e, neste embalo, podem ampliar a sua contribuição para o desenvolvimento. O movimento ‘União pelas Letras’ Em meados de 2008, consciente da importância do processo de articulação, integração e conexão e com o objetivo de alargar o espectro de atuação dos escritores pernambucanos, um grupo integrado pelos poetas Lara, Cristiano Jerônimo, Alexandre Santos, Marta Velozo, Fernando Farias, Felipe Jr., Malungo e tanto outros propôs a ‘União pelas Letras’ – um movimento que acredita ser a convivência dos diferentes setores literários a melhor forma de fazer brotar idéias e construir avanços culturais e, ainda, ampliar a importância do setor no sistema artístico local, regional, nacional e, mesmo, internacional e, com isso, fortalecer a posição dos escritores e demais interessados na literatura e nas artes em geral. E ‘União pelas letras’ – um Movimento que declara a cultura, em geral, e a literatura, em particular, formas sublimes de combate a massificação e a violência; proclama a convivência e a participação formal e informal de escritores integrantes dos diferentes setores literários como método de buscar o avanço cultural e, em contraponto, condena hegemonias e exclusividades; e, neste viés, propõe que as inevitáveis reformas sejam elaboradas, discutidas e aprovadas de forma coletiva, dentro da mais ampla abertura e transparência – [e ‘União pelas Letras’, dizia eu] buscou, então, a participação de todas as organizações e movimentos literários com atuação do Estado, recebendo o apoio de representantes das academias, grupos regionais, segmentos independentes, engajados e contemporâneos para a implantação de uma filosofia de trabalho aglutinante e participativo. Depois de um curto período de gestação e maturação, a partir de janeiro de 2009, ‘União pelas Letras’ passou a influenciar a atuação da UBE, procurando somar aos avanços construídos nos períodos anteriores, as contribuições de personalidades, entidades e movimentos que atuam nos mais diversos campos da cena literária pernambucana, especialmente os acadêmicos, os regionais, os engajados e os ditos independentes e contemporâneos. Desde então, o movimento ‘União pelas Letras’ vem se empenhando em articular, conectar e integrar a animação que dinamiza importantes movimentos literários como a Rede de Integração das Academias de Letras do Nordeste, os grupos e movimentos Invenção da Poesia, Dremelgas, Lítera Pernambuco, Sociedade dos Poetas Vivos de Olinda, Unicordel, Quarta às Quatro, Navras, Quartas Literárias, Poesis, Vozes Femininas, Urros Masculinos, Nós Pós e tantos outros, procurando fortalecer-se e fortalecer panorama geral da arte com novos sabores, cores, odores, texturas e sonoridades. Vale dizer que, ao tempo que abraça todas as manifestações literárias, prestigiando a pernambucanidade que nosso escritor transpira e suspira, ‘União pelas Letras’ se insurge e, mesmo, rejeita sentimentos xenófobos. Nem por isso, deixar de mobilizar forças para barrar as investidas de setores interessados em fazer prosperar regimes de hegemonia cultural alienígena, seja do exterior ou, mesmo, do eixo sudestino. Tudo isto leva a realização de eventos como este Encontro Pernambucano de Escritores. O Encontro Pernambucano de Escritores como exemplo de integração Ao completar o primeiro ano na União Brasileira de Escritores, o movimento ‘Uni-ão pelas Letras’ tem a honra de realizar o I Encontro Pernambucano de Escritores – um evento que, nos termos da filosofia do movimento reúne, sob o mesmo teto, escritores de todos os recantos do Estado de Pernambuco, de todas as vertentes e matizes literárias e de todas as formações, numa viva expressão da filosofia que orienta o movimento.
Uma visão panorâmica da
programação dá uma amostra clara da aplicação prática da integração,
articulação e conexão preconizada por União pelas Letras para fortalecer
entidades, movimentos e escritores, ampliando sua condição de contribuir
para o desenvolvimento. Olhemos os Seminários. Há seminários sobre cordel, literatura regional, sobre poesia, sobre romance e conto, ficção, sobre história, literatura Infanto-Juvenil, poesia popular, poesia moderna, literatura contemporânea, editoração, direitos autorais, literatura na Internet e biblioteconomia. Estes eventos sobrevoam todos os recantos literários do Estado com a participação de Felipe Júnior, José Honório; Bezerra de Lemos, Fernando Farias, Samarone Lima, Carlos Bezerra Cavalcanti, João Alfredo dos Anjos, Antônio Filho Neto, Ana Maria César, José Alves Sobrinho, Olimpio Bonald Neto, Lenice Gomes, Telma Brilhante, Márcia Basto, Emerson Pontes, Carlos Cavalcanti, Ivan Ferraz, Ismael Gaião, Dedé Monteiro, Delmo Montenegro, Francisco Mesquita, Vital Corrêa de Araújo, André Cervinskis, Heloisa Arcoverde, Raphaela Nicácio e Elys Regina Galindo Lima. O mix se completa quando consideramos os escritores que estarão presentes na condição de coordenadores – João Alfredo dos Anjos, Lucilo Varejão Neto, Cássio Cavalcante, Denise Figueiredo Lima, Paulo Dantas, Geraldo Ferraz, Luciene Freitas, Lourdes Nicácio, Gustavo Heen, Moisés Neto e Denise Figueiredo Lima – e, no recital poético – Felipe Junior, Dedé Monteiro, Vanessa Sueidy, Mariana Baggio, Ismael Gaião, Altair Leal, Vinicius Gregório, Marcos Passos, Chico Pedrosa e Joana D'Arc. São encontros como estes que ajudam a UBE a contribuindo para o desenvolvimento cultural da nação, defendendo os direitos fundamentais dos escritores e zelando pelos interesses dos homens das letras. Conseqüências da integração A integração, a articulação e a conexão são recursos capazes de fortalecer as entidades, movimentos e escritores, inclusive para fazer da cultura um instrumento de libertação das pessoas e, da literatura, um campo de realização plena dos amantes das letras. De fato, fortalecidas pelo amálgama da cultura de solidariedade, as entidades e movimentos podem ser mais eficazes na luta pela completa alfabetização do povo brasileiro, em defesa da herança literária, histórica, científica e artística do País, em defesa das tradições e da língua pátria, pela criação de condições que atendam as necessidades culturais da nação, em defesa das liberdades democráticas, pela solidariedade internacional dos povos e pela consagração de políticas públicas que garantam o ensino público de qualidade, incentivem as artes e a pesquisa científica, incentivem a produção e o consumo universal de bens culturais, ampliando o mercado cultural, em especial dos bens literários, cuidando para que os artistas possam viver da arte que os anima, democratizem o direito à informação e à comunicação de massa, aumentem a qualidade e a quantidade de leitores e escritores, estimulem a oralidade e cultivem a pluralidade étnica e a diversidade das manifestações culturais, estimulem a criação e o funcionamento de movimentos e entidades literárias, estimulem a construção de espaços literários e de convívio cultural, realizem e patrocinem encontros, concursos, festivais e festas culturais, estimulem o intercâmbio de saberes, estimulem competências que permitam a formação de leitores, escritores e cidadãos participativos e apóiem ações que visem criar e revitalizar bibliotecas e salas de leitura. Receita para a integração No caso da UBE, disposta a oferecer uma contribuição efetiva ao esforço de integração, articulação e conexão, vem se esforçando para
a) se constituir em ‘Casa do
Escritor Pernambucano’, funcionando como elemento de fortalecimento das
entidades e movimentos que escrevem e fazem ler; Conclusão A literatura, como todas as artes, não é um fim em si mesmo. É um meio para a conquista de melhores condições de vida para a sociedade. É um canal através do qual as pessoas podem adquirir condições para melhor compreender o universo e se fazer protagonista do processo de desenvolvimento O bom funcionamento da literatura, portanto, não é de interesse apenas dos amantes da leitura e dos livros. O bom funcionamento da literatura é de interesse de todos, sendo, na maior parte dos casos, sinônimo de desenvolvimento social. Assim, consciente dos compromissos que os escritores e demais homens das letras têm para com o bem estar da sociedade, devemos exercitar o compromisso de lutar pela liberdade substantiva dos amantes da literatura, oferecendo sua contribuição para efetiva para realização do bem estar social e desenvolvimento da Humanidade. Viva a integração cultural e literária dos povos. Muito obrigado. (*) Palestra apresentada por Alexandre Santos, presidente da União Brasileira de Escritores (UBE-PE), por ocasião do I Encontro Pernambucano de Escritores, no auditório do Colégio Americano Batista, em 16 de janeiro de 2010.
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