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Excelentíssima senhora Ana Maria de Lyra e César, presidente da Academia de Letras e Artes do Nordeste – ALANE, em nome de quem saúdo os demais componentes da mesa. Confrades presentes, demais autoridades, minhas senhoras e meus senhores. Recebi do dileto amigo Geraldo Ferraz de Sá Torres Filho o convite para saudá-lo nessa solenidade do seu ingresso na ACADEMIA DE LETRAS E ARTES DO NORDESTE – ALANE e asseguro aos presentes que não foi tarefa fácil, tal a quantidade de títulos e atividades que o neoconfrade possui. O que mais se destaca na sua obra literária é a precisão da pesquisa, no que exemplifico: o seu livro “PERNAMBUCO NO TEMPO DO CANGAÇO – Theofanes Ferraz Torres, um bravo militar”, foi vencedor do importante Prêmio Literário Amaro Quintas, que versa sobre a História de Pernambuco, patrocinado pela Acadêmica Fátima Quintas, no concurso Literário de 2008, da Academia Pernambucana de Letras e constitui um primor de pesquisa bibliográfica, jornalística, documental e de entrevistas pessoais. Sobre essa obra tecerei comentários no decorrer desse panegírico. Geraldo Ferraz de Sá Torres Filho herdou o nome do seu pai, sendo essa a razão de não possuir o sobrenome Holanda, de sua mãe Maria José de Holanda Torres – Dona Zequinha. Para não estender demais esse assunto, não tratarei dos dados das famílias Sá e Torres, fixando-me unicamente nas famílias Ferraz e Holanda. Na sua ascendência coexistem as duas correntes formadoras do HOMEM PERNAMBUCANO, o tronco sertanejo da família Ferraz, que desde a expansão das fazendas de gado pelo vale do Rio São Francisco e seus afluentes nos séculos XVII e XVIII, fixaram-se naquela região. A origem da família Ferraz é tão antiga quanto Portugal, os primeiros registros são do tempo do rei D. Diniz nos primórdios da história portuguesa. Hoje a palavra FERRAZ tornou-se quase sinônimo de sertanidade. Já pela parte de Dona Zequinha – Maria José de Holanda Torres a herança é açucareira. A família Holanda iniciou-se em Pernambuco com Arnau Florentz ou Arnau de Holanda, nobre que acompanhou Duarte Coelho na fundação da Nova Lusitânia. Arnau era filho de Margaretha Florentz e Hendrick Van Holand, Barão de Rhijnsburg. Ressaltando que por parte de mãe era sobrinho do Papa Adriano VI – último Papa holandês. Ao chegar a Pernambuco casou-se com dona Brites Mendes de Vasconcelos, protegida da rainha Dona Catarina de Portugal, originando assim a família Holanda. O casal recebeu várias sesmarias fundando nelas inúmeros engenhos tornando-se a família Holanda, ao longo da história, ligada a agroindústria açucareira na Zona da Mata de Pernambuco.
E o nosso amigo Geraldo embora
nascido na cidade do Recife e tendo vivido em várias cidades pernambucanas,
fixou-se, desde tenra idade, na cidade de Gravatá, Agreste Pernambucano,
área intermediária entre o Sertão dos Ferraz e a Zona da Mata dos Holanda. Faz parte do Centro de Estudos de História Municipal –CEHM, Sócio fundador dos : “Amigos do Arquivo Público Estadual Jordão Emerenciano” e do Núcleo Pernambucano de História da União Brasileira de Escritores – Secção Pernambuco – UBE-PE. Membro das seguintes associações: Instituto Cultural Gravataense – Gravatá - PE; Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço – SBEC – Mossoró RN; União Brasileira de Escritores – Secção Pernambuco – UBE-PE; União Nacional de Estudos Históricos e Sociais – UNEHS, São Paulo, SP. Correspondente da Academia Serra-Talhadense de Letras – Serra Talhada – PE e Acadêmico da Academia de Letras e Artes de Gravatá – ALAG – Gravatá – PE. Além de pesquisador e literato tem como “hobby” a pintura quando participou de inúmeras coletivas a partir do ano de 1991 e protagonizou duas exposições individuais no Centro Ítalo-Brasileiro Dante Alighieri – 1992 no Recife e na Agência Shopping Center Recife da Caixa Econômica Federal em 1995. Particularmente tenho o privilégio de conhecer suas preferências plásticas pelos inúmeros e-mails que trocamos. Geraldo tornou-se um especialista nos temas Cangaço, Volantes e Pesquisa Histórica, sendo ora palestrante, ora debatedor em inúmeros encontros literários no Recife, nas cidades do interior e por todo o Nordeste.
Mas é no papel de Coordenador do
Programa “Quarta às Quatro” da União Brasileira de Escritores – Secção
Pernambuco – UBE-PE que nosso novo acadêmico se destaca como excelente
comunicador. Levado pelo seu carisma incentivador, inúmeras pessoas
desabrocharam para a literatura, na forma de poesias, crônicas, novelas ou
qualquer outra expressão voltada às letras, sempre independente da faixa
etária: jovens iniciantes ou idosos que descobriram na arte literária uma
forma de viver ou reviver. Tudo orquestrado por Geraldo. No caso das obras citadas, a segunda sobre a Cavalaria, escreveu no prefácio Frederico Pernambucano de Mello: “Geraldo Ferraz de Sá Torres Filho estreou nas letras científicas de Pernambuco por onde bons autores têm culminado a obra de toda uma vida: com produção séria, sólida e atraente. Um modelo de compêndio historiográfico, numa palavra.” Embora trate da vida e trajetória profissional do seu avô Theophanes Ferraz Torres os três volumes, os dois primeiros sobre o tempo do cangaço e o terceiro sobre a Cavalaria, põem a descoberto minúcias da vida de Pernambuco seja do Recife ou do interior do Estado. Exemplificarei: Volume I pag. 80 – “A cidade do Recife estava em festa naquele domingo 14 de abril de 1912. Os recifenses iam conhecer o aeroplano. O aparelho que se exibiria no Hipódromo (Campo Grande) era o mais moderno : um “Bleriot” de 50 HP e 7 cilindros e na madrugada do dia 15 de abril a Estação Radiotelegráfica de Olinda recebia a noticia do naufrágio do navio “Titanic”. Volume I pag. 90 - em 10 de junho de 1913, o jornalista do Jornal Pequeno, Assis Chateaubriand fez um voo no “Bleriot” com o Sr, Lucien e teve que aterrar em plena cidade. Volume I, pag. 99 “A Maxambomba era uma denominação popular da marca de fábrica, inscrita nas suas locomotivas – “MACHINE PUMP”. Volume I pag. 221 – Em 21 de setembro de 1919 os recifenses comemoraram, através de imponentes festas realizadas na praça da Faculdade de Direito, a coroação Canônica da imagem de Nossa Senhora do Carmo, como Padroeira do Recife. Volume I pag. 239 - O Brasil participa pela primeira vez dos Jogos Olímpicos (na cidade de Antuérpia - Bélgica) e conquista a medalha de ouro em tiro com revolver. Volume I pag.336 – Ano de 1924 “A água era o mais importante instrumento de sobrevivência na luta contra os cangaceiros. Tanto as volantes quanto os cangaceiros viviam o mesmo problema. Tamanha era a raridade do precioso líquido. Para mitigar a sede todos cavavam no leito secos dos riachos, espremendo-se a raiz do umbuzeiro, a raspa do facheiro, do caroá, do olho da macambira e do xique-xique. Para enganar a sede, roia-se pedaços de rapadura. Volume I pag. 367 – Aos 2 de julho de 1924, um pavoroso incêndio destruía o tradicional estabelecimento balneário, Casa de Banhos, que ficava localizada sobre os arrecifes. Volume II pag. 395 – Pela primeira vez o Brasil ia tomar parte no concurso de beleza. A primeira Miss Pernambuco, foi a Senhorita Connie Braz da Cunha eleita em 20 de março de 1929. O “Jornal do Commercio” do Recife ficou encarregado das eleições das misses Pernambuco, Paraíba e Alagoas. A eleição foi feita por meio de cupões que saiam publicados no jornal. Volume II pag.305 – para mim esse tópico foi uma agradabilíssima surpresa. Na fotografia que ilustra a visita ao Sertão, especificamente a cidade de São José do Belmonte, do Dr. Eurico de Souza Leão, sentado ao lado do ilustre visitante e bem próximo ao Tenente Theophanes Ferraz Torres, está meu pai, Melchiades de Albuquerque Montenegro, juiz municipal daquela cidade.
E assim, dileto amigo e confrade
Geraldo, tracei um ligeiro perfil de sua pessoa, da sua família e da sua
obra. Seja bem vindo a nossa Academia de Letras e Artes do Nordeste que a
partir de hoje está muito mais rica com sua presença entre seus pares. Melchíades Montenegro Filho 1é membro titular da Academia de Letras e Artes do Nordeste
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