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A União Brasileira de Escritores Secção Pernambuco ao criar sua Ordem do Mérito Literário, resgatou do olvido um personagem de grande importância da História e da Arte Literária Pernambucana – JORGE DE ALBUQUERQUE COELHO. Comprovadamente ele é um dos primeiros brasileiros, pois, tem registrado a data e o local do seu nascimento no Brasil. Embora existam evidências de que seu irmão Duarte de Albuquerque Coelho tenha nascido em Pernambuco, alguns autores apontam que este chegou ao Novo Mundo recém-nascido sendo a primazia de Jorge. Nas proximidades da igreja da Sé, no castelo de seus pais Duarte Coelho e Dona Brites de Albuquerque em Olinda, nasceu Jorge de Albuquerque Coelho aos 23 de abril de 1539, nos alvores de nossa civilização. Ainda muito criança seguiu em companhia do pai e do irmão para Portugal onde iniciou seus estudos. Com o falecimento em Lisboa do Donatário Duarte Coelho em 1554 e estando a Capitania em situação difícil sem recursos e sob terrível pressão da hostilidade indígena, retornou a Pernambuco acompanhando seu irmão, então constituído segundo Donatário. Para fazer frente aos perigos que a capitania enfrentava, foi Jorge nomeado “Capitão e General da Guerra e Conquistas dos Índios”, estando na idade de vinte e um anos. Por cinco longos anos pelejou, conseguindo expulsar para o interior dos sertões os índios inimigos dos portugueses, criando uma larga faixa de terras, livres de qualquer ameaça, propícia à lavoura da cana de açúcar, da margem do Rio São Francisco até Olinda. Dessa feroz guerra o patrono da Ordem do Mérito Literário sustentou a sua custa a todos que o acompanharam e no final nenhum bem reservou para si. Terminada sua missão bélica, intentou regressar a Portugal para concluir seus estudos, mas o destino lhe preparara um longo tormento. Em dezesseis de março de mil quinhentos e sessenta e cinco embarcou no Recife para Lisboa, mas a caravela logo ao sair do porto foi arrostada aos arrecifes dos baixios de Olinda sofrendo grandes avarias. Consertado o barco partiu novamente em vinte e nove de junho. Dos noventa e quatro dias que durou a viagem só nos seis primeiros navegou com bonança. Foram oitenta e oito dias de contínuos sofrimentos, além das constantes tempestades, foi a caravela aprisionada por corsários franceses que a roubaram completamente deixando-a a mercê das ondas com o navio quase desmantelado fazendo água. Por cúmulo do sofrimento uma grande onda arrastou as pipas de água doce do convés. Mortos de fome e de sede são assistidos constantemente por Jorge de Albuquerque Coelho que lhes repartia o pouco que tinha de sustento sendo ele o que mais trabalhava cuidando de todos. Submetida a nau a uma nova grande tempestade sua fúria foi tal que lhe são arrancado o mastro, as velas, e o leme. A nau teria naufragado já nas costas portuguesas na altura do cabo da Roca, se não fosse a ajuda de outro barco. É acudida por uma caravela que através de um cabo rebocou o barco dos infelizes navegantes ao porto de Cascais. Bento Teixeira que também ia de passageiro no navio, anos depois escreveu o poema épico “Prosopopéia”, nosso primeiro texto literário, descrevendo a história de tão lamentável acontecimento enaltecendo a figura do Patrono da nossa Ordem. Em Portugal Jorge ingressou na carreira das armas como era em geral a profissão da nobreza, chegando ao posto de general. Fazia-se na corte considerar tanto pelo sangue nobre quanto pela generosidade do seu caráter, o povo o reconhecia pelas ações caritativas e briosos procedimentos. A pedido de Duarte seu irmão e segundo donatário voltou a Pernambuco e por solicitação fraterna tomou posse da Capitania em janeiro de mil quinhentos e setenta e três, a qual dirigiu até mil quinhentos e setenta e seis quando regressou a Portugal. Por gozar de grande prestígio na corte, sendo amigo pessoal do jovem rei D. Sebastião, acompanhou o monarca na infausta jornada bélica na África, com o cargo de “Enfermeiro–mór do Exército”. Aí na grande batalha de “Alcacer-kibir”, ferida em quatro de agosto de mil quinhentos e setenta e oito, Jorge portou-se heroicamente. Mesmo ferido mortamente, encontrou-se com o rei no afã da batalha no momento em que o exército português já se encontrava inteiramente derrotado. Tendo perdido seu cavalo D. Sebastião pediu a Jorge o seu corcel a fim de acudir os pontos mais ameaçados. Ao entregar-lhe, bradou o nosso patrono ao rei dizendo: - “Senhor, é agora a ocasião. Aqui está o meu cavalo: monte V. Alteza, e salve Portugal e o meu Brasil.” O sentido da frase “é agora a ocasião” refere-se a que o rei ainda em Portugal, ao ver o belo cavalo árabe de Jorge teve desejo de tê-lo, e Jorge retrucou que ele só possuía aquele e o rei muitos, mas dependendo da “ocasião” ele o poderia ceder. Tanto Jorge quanto Duarte foram feridos mortalmente na batalha e aprisionados na cidade moura de Féz. Seu irmão não resistindo veio a falecer, mas Jorge foi libertado mediante o pagamento de resgate juntamente com outros fidalgos portugueses. Restabelecido depois de longo padecimento, regressou ao Brasil assumindo a Donataria de Pernambuco. Por suas instâncias, intervenções e doações de terrenos, fundaram-se os conventos de São Francisco de Olinda e de Igarassu, o Convento do Carmo e o Mosteiro de São Bento todos na velha Marin. Quando governou a capitania, a pedido do seu irmão Donatário fundaram os padre Jesuítas o seu colégio em Olinda. Amante das letras e das artes introduziu o teatro em Pernambuco em mil quinhentos e setenta e cinco, encenando a peça “O rico Avarento e o Lázaro Pobre”, no pátio do Colégio Jesuíta. Mesmo afamado no trato da guerra, Jorge de Albuquerque Coelho não sabia só manejar a espada, ele foi também orador e escritor. De sua pena saíram várias obras que infelizmente são ainda muito pouco divulgadas. Barbosa Machado na sua obra “Biblioteca Lusitana” enumera as que existiam na biblioteca do Marques de Valença. Os títulos hoje nos parece estranhos mas refletem o momento histórico de quando foram publicados: - “Falla que fez aos governadores e defensores destes reinos de Portugal aos 19 de julho de 1580, e assim aos procuradores dos povos que estavam juntos em Setúbal para começarem a fazer cortes.” - “Dita em o dia que veio a nova que o campo e exercito de El-Rei Felippe de Castela entrava por este reino de Portugal, sem querer esperar que se julgasse quem era herdeiro destes reinos.” - “Conselho e parecer que deu a alguns parentes e amigos seus, e aos criados de sua casa.” - “Reconciliação, protestação e supplicação feita a Nosso Senhor Jesus Christo, a Virgem Maria Nossa Senhora, em o dia dos trez reis magos, era de 1558 annos na Sé desta cidade de Lisboa na capella do SS. Sacramento o dia em que o recebeu. Faleceu Jorge de Albuquerque Coelho na cidade de Lisboa em mil quinhentos e noventa e seis, aos cinqüenta e sete anos de idade. General reformado do exército português, guerreiro coberto de gloriosas cicatrizes, e literato conceituado pela sua erudição e pelos seus talentos. De seus filhos Duarte de Albuquerque Coelho, quarto Donatário e autor da obra “Memórias Diárias da Guerra do Brasil” e Matias de Albuquerque Coelho herói da Restauração Pernambucana, nosso Estado muito se ufana. Para finalizar cito um trecho da “Prosopopéia” de Bento Teixeira seu conterrâneo sobre o Patrono Literário da Ordem:
“... eu canto um Albuquerque
soberano,
(*) Melchíades Montenegro é secretário-geral da Ordem do Mérito Literário Jorge de Albuquerque Coelho
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