Ordem do Mérito Literário Jorge de Albuquerque Coelho

Discurso Oficial da 50ª edição do Dia Nacional do Escritor

As homenagens são símbolos que orientam a sociedade

Alexandre Santos*

Discurso proferido em 20 de julho de 2010, por ocasião dos festejos comemorativos da 50ª edição do Dia Nacional do Escritor, nos jardins da UBE

 

Alexandre Santos, presidente da UBE

 

Minhas senhoras e meus senhores,

Hoje, cumprindo uma tradição que já se estende por longos anos, a UBE festeja a passagem do Dia Nacional do Escritor – assinalado nas folhinhas como 25 de julho, em obediência a um decreto cinqüentenário do presidente Juscelino Kubitschek.

No ano passado, ao comemorar o dia oficialmente dedicado aos artistas e cientistas da palavra, depois de explicar o significado da filosofia do movimento de ‘União pelas letras’ que hoje norteia o comportamento e a ação da entidade, a UBE renovou os compromissos com os amantes da arte de ler e de escrever e explicitou sua posição em relação às dificuldades enfrentadas pelos escritores diante dos obstáculos representados pela redação dos textos e produção, lançamento, divulgação, distribuição e comercialização dos livros, especialmente em País onde as pessoas lêem pouco – uma condição que, além de comprometer o sucesso da cadeia econômica associada ao processo, converte muitos livros em obras incompletas, frustrando os artífices que os produziram.

Naquela memorável ocasião, além de inaugurar o obelisco ‘Pássaro’, que marca o jardim monumental da Casa Rosada da Rua Santana, a UBE homenageou o escritor Raimundo Carrero e deu posse ao presidente emérito da entidade, o acadêmico Olímpio Bonald Neto.
Este ano, a UBE comemora o Dia Nacional do Escritor auspiciando a admissão de grandes escritores na ORDEM DO MÉRITO LITERÁRIO JORGE DE ALBUQUERQUE COELHO e consagrando a Casa Rosada da Rua de Santana como parte integrante do PATRIMÔNIO DA CULTURA LITERÁRIA DE PERNAMBUCO.

Há uma razão para isto tudo.

Desde tempos imemoriais, os homens recorrem a condecorações para homenagear e notabilizar pares que se distinguem pelo valor e pela contribuição que oferecem à conquista de objetivos da coletividade, convertendo-os em símbolos e modelos a serem seguidos pelos demais.

Surgem, então, heróis nos diversos campos do relacionamento, inclusive no campo cultural.

Um herói cultural não é o homem que arrisca a vida em causas culturais e, sim, aquele que contribui e jamais recusa apoio ao processo de desenvolvimento e preservação da cultura de uma terra.

Muitas vezes, a contribuição destes heróis passa desapercebida do grande público em fenômeno injusto e improdutivo, pois, além de apontar alguma ingratidão, deixa esvair a possibilidade de divulgar condutas que podem servir de guia para a sociedade.

Nesta perspectiva, nestes últimos tempos, ao lado das atividades literárias e políticas que constituem a sua razão de ser, a União Brasileira de Escritores (UBE) vem se empenhando em destacar ícones da literatura pernambucana perseguindo a meta de registrar personalidades cuja obra literária contribui para a promoção do bem estar.

Com este objetivo, a UBE mantém projetos específicos – ‘Jardim das Letras’, coordenado por Jair Martins, ‘A ficção em Pernambuco’, coordenado por Felipe Jr., e ‘A cultura e a arte em Pernambuco’, coordenado por Cássio Cavalcante – para homenagear personalidades que animam e orgulham a cena literária pernambucana, proclamando ao País a qualidade da literatura que se pratica no Estado.
Recentemente, em abril de 2010, em mergulho mais profundo no campo dos reconhecimentos, a UBE criou a ORDEM DO MÉRITO LITERÁRIO JORGE DE ALBUQUERQUE COELHO – uma congregação que reúne luminares da arte de escrever no Brasil “cuja história pessoal constitui contribuição inestimável para o progresso da cultura nacional, regional e estadual”.

A criação da Ordem exigiu definições importantes, a começar pela sua denominação, pois, como os escritores bem sabem, os nomes dizem muito. E, pretendendo representar o amálgama de tudo de bom já produzido no Estado, a UBE foi buscar nas raízes de Pernambuco o nome da Ordem, denominando-a de ‘Jorge de Albuquerque Coelho’.

Jorge de Albuquerque Coelho, terceiro donatário da Capitania de Pernambuco, foi o primeiro escritor pernambucano. Nascido em Olinda, filho de Duarte Coelho e de Dona Brites de Albuquerque, o nosso herói estudou na metrópole, tendo ajudado a conquistar o território de Pernambuco, explorando, inclusive, grande parte do Rio São Francisco.

Jorge de Albuquerque Coelho foi um homem de história marcante.

Além da tormentosa travessia do Atlântico a bordo da caravela Santo Antônio em 1565, descrita na ‘Prosopopéia’, de Bento Teixeira – primeiro livro escrito no Brasil –, o nosso herói foi protagonista de muitos feitos épicos, inclusive na batalha de Alcácer-Quibir em 1578, na qual, tentando salvar o rei Dom Sebastião, cedeu-lhe o próprio cavalo – uma atitude heróica, porém inócua, pois, além de não salvar o rei, custou-lhe longa prisão na cidade de Fez, onde perdeu o movimento das pernas.

De volta a Portugal, na ausência do irmão primogênito, morto na campanha de Alcácer-Quibir, Jorge de Albuquerque Coelho herdou a capitania, onde se fez representar pelo filho Duarte.

Impossibilitado de viajar, Jorge de Albuquerque Coelho permaneceu em Portugal e pode se dedicar à literatura, tendo escrito estudos e memórias sobre o Brasil.

Entre os filhos que teve com Dona Catarina da Silva, além do quarto donatário Dom Duarte, Jorge de Albuquerque Coelho foi pai de Matias de Albuquerque, o grande herói da Restauração Pernambucana.

Agora, marcando os festejos da 50ª edição do Dia Nacional do Escritor, a ORDEM DO MÉRITO LITERÁRIO JORGE DE ALBUQUERQUE COELHO admite cinco estrelas de primeira grandeza da cintilante constelação pernambucana que ilumina a literatura brasileira.
Hoje, ingressam na congregação os escritores Ariano Suassuna, Fátima Quintas, Gilvan Lemos e Marcus Accioly – nomes que dispensam apresentação.

Qual pernambucano não se orgulha de ser conterrâneo ou, pelo menos, contemporâneo das personalidades que integram a Ordem?
E, aí, todos percebem, a congregação da ORDEM DO MÉRITO LITERÁRIO JORGE DE ALBUQUERQUE COELHO assume a condição de patamar máximo – uma espécie de olimpo da literatura pernambucana –, constituindo a homenagem máxima que a UBE pode prestar a um escritor.
Parabéns a cada um dos comendadores que integram a ORDEM DO MÉRITO LITERÁRIO JORGE DE ALBUQUERQUE COELHO.

A UBE muito lhes agradece pela luz que vocês transbordam, iluminando a cena literária brasileira e nos enchendo de orgulho.

Garantidos os ambientes e os momentos de homenagem a personalidades da literatura, a UBE começa, também, a fazer o mesmo com localidades de interesse literário, transmitindo novas mensagens à sociedade sobre comportamentos que produzem impactos positivos na preservação e no desenvolvimento da cultura literária do Estado.

Em abril deste ano, considerando a necessidade de reconhecer, valorizar e destacar locais cuja história e dinâmica contribui para o progresso da cultura em especial a de natureza literária no Estado de Pernambuco, a UBE criou um instrumento para homenageá-los, consagrando-os como LOCAIS DE INTERESSE LITERÁRIO.

Neste caso, a partir do parecer conclusivo de uma comissão de certificação, a diretoria da UBE reconhece a importância literária do espaço, autorizando a realização da solenidade de consagração – uma cerimônia que se materializa através de assentamentos no LIVRO DE INVENTÁRIO DO PATRIMÔNIO DA CULTURA LITERÁRIA PERNAMBUCANA e aposição da PLACA DE RECONHECIMENTO.
Hoje, inaugurando este processo, a UBE também marca os festejos do Dia Nacional do Escritor com a consagração da Casa Rosada da Rua Santana – imóvel que lhe dá sede e, por isso, mesmo, conhecido como a Casa do Escritor Pernambucano – como LOCAL DE INTERESSE LITERÁRIO e, portanto, integrante do PATRIMÔNIO LITERÁRIO DE PERNAMBUCO, devendo ser preservado e reverenciado.
Embora seja imóvel antigo, o período que fez da sede da UBE um Local de Interesse Literário é recente.

Vem de 1982, quando – no curso da luta de muitos companheiros, incluindo Nagib Jorge Neto, Olímpio Bonald Neto, Dione Barreto, Frederico Pernambucano de Melo e Flávio Chaves entre outros – foi cedido aos escritores pernambucanos pelo então prefeito Gilberto Marques Paulo.
Desde aquela época, a Casa Rosada da Rua Santana vem servindo de palco para as mais variadas atividades literárias, abrigando lançamentos, oficinas, saraus, encontros, reuniões, festas e homenagens, em efervescência que cresce a cada dia.

A comissão certificadora liderada pela escritora e arquiteta Salete Rego Barros não teve dificuldade em perceber nos salões, corredores e pátios da Casa Rosada os ambientes nos quais circulam representantes das mais variadas vertentes literárias – escritores consagrados e em formação que cantam e decantam literatura erudita e popular em verso e em prosa –, servindo de estufa e ninho de idéias que se projetam por todo o Estado – como o Congresso Brasileiro de Escritores em Pernambuco, o Encontro Pernambucano de Escritores e inúmeras festas e encontros municipais – e de plataforma para muitos eventos marcantes da cena literária estadual, incluindo homenagens no âmbito do projeto Jardim das Letras, encontros que discutem literatura infanto-juvenil e história do cangaço, sessões do projeto Quarta às Quatro, o sarau mais antigo e regular do País, sessões de amor, humor, horror e calor que animam as quintas temáticas; encontros do mundo do cordel e de quem quer repensar a literatura e tudo o mais.

Esta história e esta dinâmica estão encerradas na Placa do Reconhecimento que a Casa do Escritor de Pernambuco passa a ostentar desde este momento, proclamando sua inclusão no Patrimônio Literário de Pernambuco.

Minhas senhoras e meus senhores,

Esta festa deixa a UBE satisfeita.

A admissão de Ariano Suassuna, Fátima Quintas, Gilvan Lemos e Marcus Aciolly na ORDEM DO MÉRITO LITERÁRIO JORGE DE ALBUQUERQUE COELHO e a consagração da Casa Rosada da Rua Santana como LOCAL DE INTERESSE LITERÁRIO coroam mais um período da vida da entidade.

A UBE festeja este Dia Nacional do Escritor com a certeza de que vem oferecendo o melhor de si para honrar as expectativas da sociedade e dos escritores pernambucanos.

E, cumprindo a sua parte na edificação de um futuro melhor para todos, a UBE espera que, progressivamente, as próximas celebrações do Dia Nacional do Escritor encontrem o Brasil mais culto, mais saudável e mais feliz.

Que muitos livros sejam escritos e, sobretudo, lidos para que constituam instrumentos de crescimento, entretenimento e aperfeiçoamento, enfim, de conquista e preservação do bem estar, da alegria e da felicidade de todos.

Viva o Dia Nacional do Livro!

Muito obrigado.

                                                                   (*) Alexandre Santos é presidente da UBE