|
Minhas senhoras e meus senhores, Hoje, cumprindo uma tradição que já se estende por longos anos, a UBE festeja a passagem do Dia Nacional do Escritor – assinalado nas folhinhas como 25 de julho, em obediência a um decreto cinqüentenário do presidente Juscelino Kubitschek. No ano passado, ao comemorar o dia oficialmente dedicado aos artistas e cientistas da palavra, depois de explicar o significado da filosofia do movimento de ‘União pelas letras’ que hoje norteia o comportamento e a ação da entidade, a UBE renovou os compromissos com os amantes da arte de ler e de escrever e explicitou sua posição em relação às dificuldades enfrentadas pelos escritores diante dos obstáculos representados pela redação dos textos e produção, lançamento, divulgação, distribuição e comercialização dos livros, especialmente em País onde as pessoas lêem pouco – uma condição que, além de comprometer o sucesso da cadeia econômica associada ao processo, converte muitos livros em obras incompletas, frustrando os artífices que os produziram.
Naquela memorável ocasião, além
de inaugurar o obelisco ‘Pássaro’, que marca o jardim monumental da Casa
Rosada da Rua Santana, a UBE homenageou o escritor Raimundo Carrero e deu
posse ao presidente emérito da entidade, o acadêmico Olímpio Bonald Neto. Há uma razão para isto tudo. Desde tempos imemoriais, os homens recorrem a condecorações para homenagear e notabilizar pares que se distinguem pelo valor e pela contribuição que oferecem à conquista de objetivos da coletividade, convertendo-os em símbolos e modelos a serem seguidos pelos demais. Surgem, então, heróis nos diversos campos do relacionamento, inclusive no campo cultural. Um herói cultural não é o homem que arrisca a vida em causas culturais e, sim, aquele que contribui e jamais recusa apoio ao processo de desenvolvimento e preservação da cultura de uma terra. Muitas vezes, a contribuição destes heróis passa desapercebida do grande público em fenômeno injusto e improdutivo, pois, além de apontar alguma ingratidão, deixa esvair a possibilidade de divulgar condutas que podem servir de guia para a sociedade. Nesta perspectiva, nestes últimos tempos, ao lado das atividades literárias e políticas que constituem a sua razão de ser, a União Brasileira de Escritores (UBE) vem se empenhando em destacar ícones da literatura pernambucana perseguindo a meta de registrar personalidades cuja obra literária contribui para a promoção do bem estar.
Com este objetivo, a UBE mantém
projetos específicos – ‘Jardim das Letras’, coordenado por Jair Martins, ‘A
ficção em Pernambuco’, coordenado por Felipe Jr., e ‘A cultura e a arte em
Pernambuco’, coordenado por Cássio Cavalcante – para homenagear
personalidades que animam e orgulham a cena literária pernambucana,
proclamando ao País a qualidade da literatura que se pratica no Estado. A criação da Ordem exigiu definições importantes, a começar pela sua denominação, pois, como os escritores bem sabem, os nomes dizem muito. E, pretendendo representar o amálgama de tudo de bom já produzido no Estado, a UBE foi buscar nas raízes de Pernambuco o nome da Ordem, denominando-a de ‘Jorge de Albuquerque Coelho’. Jorge de Albuquerque Coelho, terceiro donatário da Capitania de Pernambuco, foi o primeiro escritor pernambucano. Nascido em Olinda, filho de Duarte Coelho e de Dona Brites de Albuquerque, o nosso herói estudou na metrópole, tendo ajudado a conquistar o território de Pernambuco, explorando, inclusive, grande parte do Rio São Francisco. Jorge de Albuquerque Coelho foi um homem de história marcante. Além da tormentosa travessia do Atlântico a bordo da caravela Santo Antônio em 1565, descrita na ‘Prosopopéia’, de Bento Teixeira – primeiro livro escrito no Brasil –, o nosso herói foi protagonista de muitos feitos épicos, inclusive na batalha de Alcácer-Quibir em 1578, na qual, tentando salvar o rei Dom Sebastião, cedeu-lhe o próprio cavalo – uma atitude heróica, porém inócua, pois, além de não salvar o rei, custou-lhe longa prisão na cidade de Fez, onde perdeu o movimento das pernas. De volta a Portugal, na ausência do irmão primogênito, morto na campanha de Alcácer-Quibir, Jorge de Albuquerque Coelho herdou a capitania, onde se fez representar pelo filho Duarte. Impossibilitado de viajar, Jorge de Albuquerque Coelho permaneceu em Portugal e pode se dedicar à literatura, tendo escrito estudos e memórias sobre o Brasil. Entre os filhos que teve com Dona Catarina da Silva, além do quarto donatário Dom Duarte, Jorge de Albuquerque Coelho foi pai de Matias de Albuquerque, o grande herói da Restauração Pernambucana.
Agora, marcando os festejos da
50ª edição do Dia Nacional do Escritor, a ORDEM DO MÉRITO LITERÁRIO JORGE DE
ALBUQUERQUE COELHO admite cinco estrelas de primeira grandeza da cintilante
constelação pernambucana que ilumina a literatura brasileira.
Qual pernambucano não se orgulha
de ser conterrâneo ou, pelo menos, contemporâneo das personalidades que
integram a Ordem? A UBE muito lhes agradece pela luz que vocês transbordam, iluminando a cena literária brasileira e nos enchendo de orgulho. Garantidos os ambientes e os momentos de homenagem a personalidades da literatura, a UBE começa, também, a fazer o mesmo com localidades de interesse literário, transmitindo novas mensagens à sociedade sobre comportamentos que produzem impactos positivos na preservação e no desenvolvimento da cultura literária do Estado. Em abril deste ano, considerando a necessidade de reconhecer, valorizar e destacar locais cuja história e dinâmica contribui para o progresso da cultura em especial a de natureza literária no Estado de Pernambuco, a UBE criou um instrumento para homenageá-los, consagrando-os como LOCAIS DE INTERESSE LITERÁRIO.
Neste caso, a partir do parecer
conclusivo de uma comissão de certificação, a diretoria da UBE reconhece a
importância literária do espaço, autorizando a realização da solenidade de
consagração – uma cerimônia que se materializa através de assentamentos no
LIVRO DE INVENTÁRIO DO PATRIMÔNIO DA CULTURA LITERÁRIA PERNAMBUCANA e
aposição da PLACA DE RECONHECIMENTO.
Vem de 1982, quando – no curso
da luta de muitos companheiros, incluindo Nagib Jorge Neto, Olímpio Bonald
Neto, Dione Barreto, Frederico Pernambucano de Melo e Flávio Chaves entre
outros – foi cedido aos escritores pernambucanos pelo então prefeito
Gilberto Marques Paulo. A comissão certificadora liderada pela escritora e arquiteta Salete Rego Barros não teve dificuldade em perceber nos salões, corredores e pátios da Casa Rosada os ambientes nos quais circulam representantes das mais variadas vertentes literárias – escritores consagrados e em formação que cantam e decantam literatura erudita e popular em verso e em prosa –, servindo de estufa e ninho de idéias que se projetam por todo o Estado – como o Congresso Brasileiro de Escritores em Pernambuco, o Encontro Pernambucano de Escritores e inúmeras festas e encontros municipais – e de plataforma para muitos eventos marcantes da cena literária estadual, incluindo homenagens no âmbito do projeto Jardim das Letras, encontros que discutem literatura infanto-juvenil e história do cangaço, sessões do projeto Quarta às Quatro, o sarau mais antigo e regular do País, sessões de amor, humor, horror e calor que animam as quintas temáticas; encontros do mundo do cordel e de quem quer repensar a literatura e tudo o mais. Esta história e esta dinâmica estão encerradas na Placa do Reconhecimento que a Casa do Escritor de Pernambuco passa a ostentar desde este momento, proclamando sua inclusão no Patrimônio Literário de Pernambuco. Minhas senhoras e meus senhores, Esta festa deixa a UBE satisfeita. A admissão de Ariano Suassuna, Fátima Quintas, Gilvan Lemos e Marcus Aciolly na ORDEM DO MÉRITO LITERÁRIO JORGE DE ALBUQUERQUE COELHO e a consagração da Casa Rosada da Rua Santana como LOCAL DE INTERESSE LITERÁRIO coroam mais um período da vida da entidade. A UBE festeja este Dia Nacional do Escritor com a certeza de que vem oferecendo o melhor de si para honrar as expectativas da sociedade e dos escritores pernambucanos. E, cumprindo a sua parte na edificação de um futuro melhor para todos, a UBE espera que, progressivamente, as próximas celebrações do Dia Nacional do Escritor encontrem o Brasil mais culto, mais saudável e mais feliz. Que muitos livros sejam escritos e, sobretudo, lidos para que constituam instrumentos de crescimento, entretenimento e aperfeiçoamento, enfim, de conquista e preservação do bem estar, da alegria e da felicidade de todos. Viva o Dia Nacional do Livro! Muito obrigado. (*) Alexandre Santos é presidente da UBE
|
|
|